Logo que entrei pra equipe dos Inimigos da HP, a idéia foi modificar de saída as mixes dos ears, afinal foi pra isso que saí do Capital Inicial e assumi a empreitada… Lá fui eu cheio de razão pro primeiro show e, com um esqueleto do que vinha sendo mixado, dei uma cara diferente aos in-ears, principalmente o do Sebá, meu vocal solo. Não deu outra… Em todos os shows, mesmo sabendo que a mixagem estava ao menos coerente, eu sempre ouvia: “Farat, o som não ta legal…”, “Farat, o som não ta legal…”. Como assim??? Um Shure E5 com PSM 600 não estar legal??? Um belo dia resolvo pegar o bodypack do patrão e pro meu espanto, lá estava o volume no “9”, isso mesmo… “9”!!! Fiquei em pânico… O que fazer??? Nada soa bem com o volume do bodypack no “9”!!! Mais do que nunca tive que pensar rápido e dar algumas sugestões pra resolver isso… A primeira delas foi pedir (com carinho e discernimento) que fosse feita uma audiometria criteriosa pra saber como andava a saúde auditiva da galera, antes do próximo passo, e o mais importante: o velho e bom phone moldado!!!… De posse da audiometria feita, comprovando que a audição do meu artista estava em muito boa ordem, partimos para o segundo passo… O Sebá utiliza um modelo Westone Elite Series, com vazamento dosado via buchas em um segundo duto do molde… Comprovadamente, o molde fechado nos proporciona um grave muito mais presente, mas testados os três tamanhos de buchas, o meu artista optou pela menor e sentiu-se muito a vontade com ele… Feito isso e com o phone em mãos, finalmente partimos para o terceiro e principal passo… a mix!!! Um detalhe importantíssimo a ser citado, foi o insert de um equalizador gráfico em cada lado da mix, corrigindo criteriosamente as (discretas) curvas resultantes da avaliação na audiometria, o que muda muito o equilíbrio. De saída nunca mais se falou no homicídio auditivo que é utilizar só um lado do phone na orelha e, conseqüentemente, mixagem mono com esse equipamento. A minha mix faz um panorâmico, exatamente da posição que a banda ocupa no stage (nada mais desagradável do que um guitarrista que está a esquerda do palco soando na direita da mix) e sempre com a característica de somar a própria ao vazamento. Procuro não exagerar nas ambientações, mesmo porque tenho a soma do palco na mix, portanto apenas utilizo um ambiente para a bateria e outro para a voz. No final, uma boa e também discreta compressão no L/R por uma audição mais cômoda e, principalmente por segurança, encerram o processo, mais caro que o normal, mas extremamente eficiente. Posso dizer hoje que valeu a pena essa mudança, pois além de tornar extremamente agradável meu trabalho, “tocando junto”, brincando com os arranjos, o volume do bodypack do incrível e ameaçador “9” hoje beira os “4,5”, e ai de mim se pedir para que ele chegue ao “5”!!!… Serei pré-crucificado no palco e completamente exterminado no paredão do camarim depois do show!!!…hahahaha. Bom, é mais ou menos isso…
Até a próxima… Abraço do Farat!!!
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